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segunda-feira, 29 de abril de 2013

UMA BATALHA NAVAL

Amanhece e o sol começa a surgir no horizonte do oceano...

Seus reflexos brilham intensamente no imenso mar azul. Os marinheiros acordam e o agito no convés da caravela pirata se inicia.

Navega em águas tranquilas, mas o mar nem sempre é tão calmo como aparenta... A borrasca pode surgir de repente e transformar as águas em redemoinhos gigantes capazes de engolir qualquer embarcação.

O comandante de um olho só sabe disso, mas cauteloso nada diz a seus marujos. Os conduz na mais completa ignorância...

Só pensa no embate com a nau adversária. Sua única promessa se baseia na distribuição do saque que farão em caso de vitória. Não importa o custo do embate, o importante é o resultado do assalto...

Apenas isso povoa sua mente...

E os marujos confiam cegamente no comandante, a ponto de sequer contestarem se os saques serão justos e se suas estratégias são éticas. Apenas lhes interessam ter a oportunidade de colocar as mãos no quinhão do saque que a batalha promete...

Não importava a honra, a justiça e a verdade... O importante é o saque!

O tesouro justifica toda a ação...

E nesse clima, os piratas esperavam ancorados na baía próxima do porto, onde certamente a nau capitaneada pelas forças do império passarão, com o desejado tesouro do reino.

Quando surge a nau imperial, os piratas vorazes atacam!

Diante de uma sangrenta batalha, muitos perdem a vida e alguns até a vergonha e a honra...

O mar enrubece manchado pelo sangue derramado... O combate é feroz... As armas surpreendentes... Não há qualquer hesitação em usar o mais baixo golpe desde que se obtenha a vitória... A artilharia pesada demonstra como é importante conquistar o tesouro...

Por fim, a bandeira negra tremula vitoriosa, e os piratas tomam a nau imperial em suas mãos...

Durante a partilha, no entanto, o comandante antes solícito e amável, agora mostra a outra face de seu carácter. A mesquinha vontade de não dividir nada com ninguém o transforma em um monstro absoluto, soberano de um povo atônito diante da nova personalidade...

Mas pirata é assim mesmo...

Canções de ódio começam a ser cantaroladas pelo povo que o apoiou, mas agora cientes de que foram apenas usados no interesse de uns poucos, mostra-se insatisfeito... Seus marujos, companheiros de combate, incompetentes para tocar o reino, se refugiam em sua nau...

Ainda assim, o comandante pirata, o Terrível, mantém o discurso... Mas a nau não sai do lugar e pequenos vazamentos começam a tomar conta das galerias subterrâneas que dão sustentação ao barco...

Seus marujos não conseguem fazer a nau zarpar...

Tudo deve parecer estar correndo bem... Mesmo que seja uma ilusão para os que estão em terra, fora da nau, esse deve ser o clima reinante... O Terrível procura mostrar apenas o convés, mesmo que seus porões estejam em ruínas...

E aos que ousem enxergar a verdade, o Terrível ameaça fazer andar sobre a prancha...

E é por aí que a nau começa a "fazer água"...

domingo, 7 de abril de 2013

A DECISÃO

A noite já avançava, beijando a madrugada com seu gélido hálito do sereno.

O silêncio só se quebrava com o som ao longe da música indecifrável que tocava em um rádio de pilha qualquer.

Viúva, já de idade avançada, quase noventa anos de experiencia de uma vida vivida com muitas emoções, algumas decepções e outras tantas alegrias, dona Zuleica olha fixamente o teto de seu quarto... Solitária...

Uma mulher comum, carregando apenas sua história pessoal... Naquela altura da vida, com os filhos casados, netos queridos, poucos contemporâneos de juventude com quem compartilhar suas lembranças... Apenas vive...

Lentamente os ponteiros do relógio de sua vida percorrem o tempo de uma existência carregada de experiências, dores, lutas e alguns sorrisos...

As lembranças preenchem suas memórias... Restam-lhe tão poucas... As próprias imagens empalidecem com o tempo... Já quase não se lembra do seu querido marido, falecido a tanto tempo... Percebe que a cada dia, as lembranças que alimentam sua alma e justificam seu dia, ficam cada vez mais raras...

E se entristece...

O relógio avança madrugada adentro...

Engraçado, como não se recorda direito da feição de alguns parentes que lhe foram tão próximos, mas consegue visualizar com tantos detalhes seu vestido de casamento, como se bailasse diante de seus olhos, flutuando em seu quarto, dançando uma valsa de amor...

Embalada nesses pensamentos, adormece...

Acorda com a leve brisa soprando em seu quarto. Raios de sol invadem o ambiente e banham seu rosto, enrugado pelos vincos das dificuldades enfrentadas, mas vencidas, afinal seus filhos foram criados para a batalha da vida... Orgulha-se deles, pois são homens de carater e amorosos com ela...

Ouve a voz inconfundível de seu querido filho que se aproxima se debruçando sobre seu rosto e a beija na face...notou que ele estava com os olhos inchados, deve ter tido uma noite difícil, pensou ela.

Tenta chamá-lo, mas não conseguiu emitir nenhum som...

Ficou estarrecida quando ouviu seu filho dar a ordem ao médico para desligar os aparelhos........