Amanhece e o sol começa a surgir no horizonte do oceano...
Seus reflexos brilham intensamente no imenso mar azul. Os marinheiros acordam e o agito no convés da caravela pirata se inicia.
Navega em águas tranquilas, mas o mar nem sempre é tão calmo como aparenta... A borrasca pode surgir de repente e transformar as águas em redemoinhos gigantes capazes de engolir qualquer embarcação.
O comandante de um olho só sabe disso, mas cauteloso nada diz a seus marujos. Os conduz na mais completa ignorância...
Só pensa no embate com a nau adversária. Sua única promessa se baseia na distribuição do saque que farão em caso de vitória. Não importa o custo do embate, o importante é o resultado do assalto...
Apenas isso povoa sua mente...
E os marujos confiam cegamente no comandante, a ponto de sequer contestarem se os saques serão justos e se suas estratégias são éticas. Apenas lhes interessam ter a oportunidade de colocar as mãos no quinhão do saque que a batalha promete...
Não importava a honra, a justiça e a verdade... O importante é o saque!
O tesouro justifica toda a ação...
E nesse clima, os piratas esperavam ancorados na baía próxima do porto, onde certamente a nau capitaneada pelas forças do império passarão, com o desejado tesouro do reino.
Quando surge a nau imperial, os piratas vorazes atacam!
Diante de uma sangrenta batalha, muitos perdem a vida e alguns até a vergonha e a honra...
O mar enrubece manchado pelo sangue derramado... O combate é feroz... As armas surpreendentes... Não há qualquer hesitação em usar o mais baixo golpe desde que se obtenha a vitória... A artilharia pesada demonstra como é importante conquistar o tesouro...
Por fim, a bandeira negra tremula vitoriosa, e os piratas tomam a nau imperial em suas mãos...
Durante a partilha, no entanto, o comandante antes solícito e amável, agora mostra a outra face de seu carácter. A mesquinha vontade de não dividir nada com ninguém o transforma em um monstro absoluto, soberano de um povo atônito diante da nova personalidade...
Mas pirata é assim mesmo...
Canções de ódio começam a ser cantaroladas pelo povo que o apoiou, mas agora cientes de que foram apenas usados no interesse de uns poucos, mostra-se insatisfeito... Seus marujos, companheiros de combate, incompetentes para tocar o reino, se refugiam em sua nau...
Ainda assim, o comandante pirata, o Terrível, mantém o discurso... Mas a nau não sai do lugar e pequenos vazamentos começam a tomar conta das galerias subterrâneas que dão sustentação ao barco...
Seus marujos não conseguem fazer a nau zarpar...
Tudo deve parecer estar correndo bem... Mesmo que seja uma ilusão para os que estão em terra, fora da nau, esse deve ser o clima reinante... O Terrível procura mostrar apenas o convés, mesmo que seus porões estejam em ruínas...
E aos que ousem enxergar a verdade, o Terrível ameaça fazer andar sobre a prancha...
E é por aí que a nau começa a "fazer água"...
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