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terça-feira, 28 de maio de 2013

IRON

A tranquilidade no portão da casa denuncia algo estranho.

O olhar triste do morador da residencia anuncia que algo está faltando, mas o entregador da conta de água não consegue no primeiro momento detectar do que se trata. Apenas entrega com um rápido e automático "bomdiasenhor", a conta do consumo mensal.

Gira sobre os calcanhares e se prepara para sair, quando súbitamente lhe ocorre o motivo do silêncio...

- Senhor, cadê aquele cachorrão preto? - indaga esticando o pescoço para ver sobre os ombros do morador - Ele está preso?

Nesse momento as ocorrências dos últimos dias assumem as memórias do morador. Seu olhar triste se aprofunda e uma lágrima furtiva lhe escapa...

A imagem de outrora onde o animal desfilava um corpo atlético e forte esbanjando saúde correndo por todo o quintal, era apenas uma lembrança.

Seu latido forte e grave, alertava a todos que ali vivia um cão feliz e vigilante... Seu rugido fazia tremer os destemidos... Afugentava os valentes e fazia desviar o pensamento do infeliz que ousasse aproximar-se furtivamente da residência...

Uma fortaleza ambulante!

Respeitava os donos da casa com uma subserviência fantástica... Dizem os entendidos que o cão é uma animal que tem personalidade, e que isso é próprio de cada exemplar... Pois aquele cão possuia uma personalidade admirável. Conduta irrepreensível...

Um gigante com alma de criança...

Além de um guarda respeitável, um dócil protetor e amado amigo...

Mas um dia, ele foi diagnosticado com câncer na mandíbula...

Uma verdadeira bomba explodiu no coração de seu dono... Nada era possível ser feito... A não ser cerca-lo de mais carinho ainda e compreensão.

Chegou o temido estágio da doença onde o pobre animal não tinha forças sequer para levantar-se... Suas pernas fraquejavam e mal o sustentavam em pé... Partia o coração ver aquele lindo cão, mal se sustentando sobre as pernas, caindo sem forças sobre as patas fracas...

Ele bem que tentava, coitadinho, mas não conseguia permanecer de pé... Queria receber seu dono no portão como sempre o fizera, mas o máximo que conseguia era se arrastar alguns passos... Tentava, mas não havia mais forças para saltar...

Com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais doloroso ver seu pequeno gigante definhando com a maldita doença, emagrecendo cadavéricamente... Mal levantava a cabeça e seu olhar triste como que pedindo socorro ficava cada vez mais profundo com a velocidade surpreendente da aproximação da morte...

Já em estado avançado de debilidade, com muito empenho teimava em levantar a cabeça para receber seu dono, mesmo quando suas forças não lhe permitiam sequer latir...

Não havia mais como sustentar sua vida... Em questão de poucos dias, o sofrimento atingiu patamares surpreendentes e já não era mais suportável...

Com uma grande dose de relutância em seu coração, o seu dono chamou a médica veterinária para o sacrifício final.

Foram necessárias algumas doses letais a mais do que o comumente utilizado e apesar de levemente anestesiado, o valente animal suportou o procedimento sem emitir um gemido sequer...

Com a cabeça apoiada sobre os braços de seu amigo, despediu-se com um longo e tranquilo suspiro...

Saudades,

meu valente Iron...






quinta-feira, 23 de maio de 2013

A NOVELA E A VIDA

A vida é uma novela, como já diziam antigamente...

Há vilões, protagonistas, coadjuvantes, participações especiais, cenários, historinhas, drama, comédia, etc... tudo isso num caldeirão, misturado com pitadas de sentimentos e humores, entremeados com propagandas bem humoradas e coloridas.

O mocinho de hoje, repentinamente se transforma no vilão que trazia escondido atrás do sorriso fácil, a verdadeira face do facínora traidor (pausa dramática)...tcham, tcham, tcham, tchaaaaaam...

Para felicidade geral dos noveleiros, no último capítulo tudo se resolve... a mocinha (que jamais foi bandida, era apenas incompreendida, tadinha!) e se encontra com o mocinho (o mais injustiçado indivíduo do planeta, que agora ganhará o reconhecimento do mundo como vingança!) e vivem felizes para sempre... até começar a outra novela, é claro!

As previsões e o suspense que os autores estabelecem na novela são contornáveis e em um passe de mágica se esvaem no ar. Muitas vezes basta uma frase e o bandido se transforma em um alegre indivíduo e querido personagem. Tudo em benefício da alegria do espectador.

É preciso entreter! E tome circo (já que o pão tá difícil!!)...

Mas a vida é diferente e caminha obedecendo um script bem louco.

Nas novelas, às vezes o bandido se arrepende no último capítulo e comove as pessoas... "brasileiro é tão bonzinho"...

Mas na vida real, os bandidos nunca mostram piedade, arrependimento ou reconhecimento...

E os mais safados não estão nas ruas!

Alguns usam o uniforme do poder e se travestem de terno e gravata, mas outros (os mais espertos, pois assim se infiltram junto ao povo) disfarçam-se de jeans surrados e camisa desabotoada... esses são os mais perigosos, afinal se fingem de telespectadores, quando na verdade são eles os antagonistas que nos ferem...

É eu sei... é bem nojentinho isso... mas segure o estômago que o pior está por vir...

A verdade nua e crua, sem textos novelísticos, é que nós é quem escolhemos nossos vilões!!!

E antes que aqueles leitores que se identificaram com essa verdade fiquem chateados comigo, prometo tentar ser simpático e manter a serenidade...

Entendo a justificativa daqueles que dizem que é difícil identificar os meliantes políticos no momento certo pois demonstram doses maciças de humanidade, na época que lhes convém.

É duro ser povo!

Os malandros profissionais são mestres em ludibriar e massagear os egos com tapinha nas costas e sorrisos falsos.

Mas saiba que eles nunca...mas nunca mesmo se arrependem de verdade das maldades que fazem depois que te conquistam...

Por isso, avalie sempre!

Finalmente, para completar as más notícias, pessoal, é bom lembrar que a vida não tem um cronograma que estabelece a data para o capítulo final... Ou seja, se não nos cuidarmos, nunca haverá prazo para se encerrar as malignidades dos maus intencionados... e a trama do terror pode continuar por muito tempo.

Aguardemos os próximos capítulos...

THE END



sexta-feira, 17 de maio de 2013

APERTEM OS CINTOS, O CIPEIRO SUMIU!

O barulho da sirene da ambulância corta a tarde ensolarada.

Todos na rua ficam tensos...

Porque será que ficamos apreensivos quando ouvimos sirenes? Talvez pelo fato de antevermos tragédias...

Os bombeiros descem rápidamente para fazer o atendimento de uma cidadã que passa mal, chegando a desmaiar e cair...

Parece grave. Felizmente os valorosos homens que combatem o fogo, também aplacam nosso nervosismo fazendo um trabalho de socorro sempre que acionados.

Chegam equipados e treinados. Todos abrem caminho para o atendimento.

Em rápidos minutos os socorristas atendem e controlam o mau súbito... Tranquilizando a vítima e os presentes ao redor...

Essa história se repete milhares de vezes por dia em dezenas de cidades e centenas de locais...

E por conta de uma qualidade incrível nos treinamentos dos homens do fogo, a vida é salva e  o cidadão valorizado...

Irreprensíveis cuidados e atenção são prestadas a qualquer cidadão... Não importa sua condição financeira, crença religiosa, cor de pele, convicções políticas, times do coração... Nada disso é visto quando do atendimento à vítima feito por esta valorosa corporação dos Bombeiros.

Talvez seja esse o maior exemplo de democracia em nosso País... Todos tem direito de socorro... E  de fato são atendidos da mesma maneira e com a mesma técnica e presteza... Estupendo...

Chega a ser emocionante apreciar o trabalho dos Bombeiros.

No entanto, são tantos os casos que são acionados, e dentre esses chamados, há alguns que poderiam ser evitados, liberando-os para atendimentos mais urgentes...

Todas as grandes empresas possuem a CIPA...(ou deveriam possuir por força de lei).

E qual o objetivo de se implantar os cipeiros?

Treinar para socorros contra incêndio, implantar saídas de emergência em rotas de fugas em caso de sinistros, análise e avisos de possíveis perigos contra acidentes de todo porte, e principalmente atendimentos emergenciais de pequeno risco até a chegada de socorro profissional...

As administrações públicas até exercem esse treinamento. Instauram a CIPA conforme manda a lei, distribuem diplomas... Fazem uma festinha legal... Chegam até a adquirir os materiais de atendimento, como macas, medicamentos, colares servicais, etc...Fotos da formatura são tiradas e publicadas em jornais... Uma belezura...

Mas diferentemente da iniciativa privada, quando um caso se apresenta, onde encontrar um cipeiro??

Em um prédio onde circulam milhares de pessoas diáriamente, e onde trabalham centenas de pessoas, não se encontrou nenhum cipeiro para um atendimento básico até a chegada dos Bombeiros...

O discurso demagógico não cabe aqui. Não se justifica a falta de um primeiro socorros no atendimento básico a uma cidadã ... e pior... dentro de um prédio público!

E cadê os cipeiros?

Nada contra as festinhas, fotos e todo o "oba-oba" das diplomações... Afinal todos gostam de um reconhecimento... Mas poderíamos ajudar a valorosa corporação dos Bombeiros, de modo simples e eficiente.

Como? Sendo simples e eficientes...

Cumprindo de verdade os preceitos exigidos pela CIPA...

Fica a sugestão.