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segunda-feira, 3 de junho de 2013

FESTA JUNINA

O fogo trepida sob o céu estrelado e frio de junho.

Os amigos rodeiam a fogueira saboreando o quentão. O sabor da maçã penetra nas narinas aumentando a vontade de saborear o caldo do vinho quente.

Delíciosas receitas de doces típicos enfeitam a grande mesa revestida de toalha xadrez e as crianças correm ao seu redor, com todo o alarido que uma infância feliz produz.

Os urros enchendo os ouvidos denunciam que a trucada é animada. As risadas ecoam fortes e entremeadas de silêncio naqueles momentos tensos onde os jogadores de truco recebem suas cartas e emitem seus sinais.

É muito engraçado ver... Uns levantam as sobrancelhas, outros cutucam a orelha...

Mas o pior é quando põem a língua pra fora... É um tal de caretas e trejeitos de homens brutos, que é impossível não sorrir...

As mulheres também se metem a jogar... e o pior é que jogam direitinho...

E não é pra menos, afinal as damas jogadoras são dissimuladas e quando gritam, é pra valer!!!

E tome pinga!!!

A branquinha desce suave e encoraja as rodadas do carteado...

Não sei se o calor é proveniente da fogueira, da tensão do jogo ou da cachaça... ou de tudo junto!!!

Os perdedores saem da mesa para entrar outra dupla, ou quarteto, ou até mais quando se joga o Douradão...

É pura diversão!

O violeiro dedilha seu instrumento e canções típicas sertanejas ecoam pelo sítio e as chamas bailam iluminando os casais que a rodeiam numa típica dança de quadrilha...

"Olha a cobra!!" - "É mentira!!!"

O noivo com seu bigode e costeletas pintadas em carvão faz a corte junto à noivinha grávida de tranças e rosto rosado com exagerada quantidade de ruge e pintas de sardas feitas com grosso lápis... O charme provêm do dente da frente pintado de preto simulando a falta do "centro-avante"...

Rojões espolcam no ar e o casamento caipira se desenvolve na maior confusão, com o pai da noiva de espingarda em punho e terno com a calça "pula-brejo" mostrando a botina surrada ameaçando o noivo fujão...

O cachorro vira-lata late insistentemente, abanando o rabo de maneira frenética...

As bandeirinhas coloridas balançam ao vento frio combinando com as camisas coloridas dos homens e os vestidos com rendas das caipirinhas...

A bagunça avança madrugada adentro, e a batata doce assa na lenha... Delícia!!!

Os olhares transmitem uma alegria radiante, e o sorriso estampa no rosto uma felicidade indescritível e ingênua...

Olho pela janela e na sala os adolecentes se juntam e sentados lado a lado, sem se olharem, digitam frenéticamente seus tabletes e seus ipads tecnológicos... Silêncio total, apenas o tlec, tlec dos teclados... Falam sabe-se lá com quem...

Uma pequena ruga de preocupação toma meu semblante, afinal essa nova geração dará continuidade a essa festa tão bacana? Afinal eles consideram essas festas tão ultrapassadas e sem graça...

Envolto nesses pensamentos vou até a panela de vinho quente e pego mais uma concha e encho minha caneca, afinal hoje não é dia de tristeza... Além disso, sou o próximo na mesa de truco...

Vamos nessa???

"Pula a fogueira, Nhanhá...
Pula a fogueira, Nhônhô..."

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